Rendeiras de bilro

Destaques - Arraial do Cabo


 

Galeria de Fotos

Almofadas, alfinetes, linhas e prosa

< >

Navegue pelo Mapa

Em julho de 2012, o Brasil participou pela primeira vez da Mostra Internacional de Renda de Bilros, realizada em Peniche, Portugal. Quem representou o país foram as rendeiras de Arraial do Cabo. Elas tentam manter viva a tradição na cidade ensinando  técnicas que exigem habilidade, concentração e cálculo matemático. "Parece simples, mas é uma atividade complexa. Há um movimento internacional junto à Unesco para reconhecer a renda de bilro como um patrimônio imaterial da humanidade", conta Rose Cintra, coordenadora do Ponto de Cultura dos Artesãos de Arraial do Cabo, onde são ministrados cursos para mulheres de todas as faixas etárias. Muitas rendeiras dedicam-se à arte  desde criança; e aperfeiçoaram o ponto com a professora Tólia, 99 anos,  filha e irmã de rendeiras.

Foto: Cris Isidoro / Diadorim Ideias.
"Minha mãe me ensinou quando eu tinha 8 anos. Depois, eu voltei a ter aulas, dessa vez com a Tólia, aos 20 anos. Quando ela adoeceu, dei aula no seu lugar, e ensinei renda de bilro à filha dela, que não sabia!", orgulha-se Maria da Glória Pereira Miguel. A renda de bilro foi a principal atividade exercida pelas mulheres de pescadores no século passado, na Região dos Lagos. Além de ajudar no orçamento familiar, o trabalho reunia as mulheres em grupos em que não faltavam casos para contar. Sentadas em cadeiras embaixo da sombra de grandes árvores, teciam as rendas ao mesmo tempo em que conversavam, cantavam, diziam versos. A maioria não sabia ler e escrever e algumas fumavam cachimbo.

Os materiais usados para a manufatura da renda de bilro são simples: almofada, bilros, espinhos ou alfinetes, tesoura e o pique. A almofada serve de base para a confecção da renda. Os bilros (bilos ou birros, como muitas rendeiras dizem) são pequenas peças de madeira, que variam em formato e tamanho. Servem para enrolar a linha que será usada para fazer a renda. Quanto mais larga a renda, tanto maior é o número de bilros usados. O padrão da renda é determinado pelo desenho que é picado no papelão, conhecido como pique. Ele é espetado na almofada por meio de alfinetes ou espinhos. Antigamente usava-se muito os espinhos, pois as rendas eram feitas à beira-mar e os alfinetes enferrujavam com a maresia. A atividade chegou à cidade pelas mãos das mulheres portuguesas.


Serviço

Endereço: Ponto de Cultura dos Artesãos de Arraial do Cabo - Avenida dos Pescadores s/nº, Praia Grande.
Telefone: Coordenadora Rose Cintra - (022) 99858-6677
Email: rosecintra@hotmail.com
Horário de Funcionamento:

Ter a Dom, de 17h às 22h.

Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro Petrobras

Apple Store Google Play

Coordenação, Produção e Conteúdo    Diadorim ideias & comunicações