Noinha do Jongo

Patrimônio Imaterial , Gente - Campos dos Goytacazes


 

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"O maior do mundo é Deus"

Jongo da Noinha é patrimônio imaterial de Campos. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias
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"Cai, cai sereno. O maior do mundo é Deus e nós somos pequenos". A mestre jongueira Noinha ergue os olhos, move com vigor os quadris e gira na roda. Tambores e chocalhos consagram a música às entidades divinas. A lenha queimada incensa o terreiro. O Jongo de Noinha, nascida Geneci Maria da Penha em 1944, é considerado patrimônio imaterial de Campos.

Noinha escreveu o livro A Voz do Tambor. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias.

Seu grupo, o Congola, é integrado por 20 pessoas, parentes e amigos que cantam e dançam no jardim de sua casa e se apresentam em festividades temáticas em Campos. É Noinha quem compõe os pontos de jongo ou versos. Auxiliar de enfermagem e com apenas quatro anos de estudo, Noinha lançou em 2010 o livro A voz do tambor - um mapeamento histórico do jongo em Campos dos Goytacazes.

Crianças, parentes e amigos integram o Congola. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias

Publicado com recursos próprios, o livro explica as tradições do jongo; destaca jongueiros famosos, fundadores das primeiras escolas de samba de Campos; relaciona cânticos e rezas. "Deixaram que pessoas que não eram protagonistas contassem a nossa história. Agora armazenei conhecimento para que o jongo não se perca. Tínhamos dois grupos por bairro em Campos. Os mestres faleceram, os filhos não deram continuidade ou mudaram de religião. Hoje somos apenas três grupos", afirma Noinha.

Ela tenta arregimentar novos jongueiros em visitas às comunidades quilombolas e diz que está formando um novo grupo na região do Imbé. É uma missão difícil. "Colocaram o medo na criação cristã de que o jongo é coisa do demônio. Quem quer participar, é proibido pelo pastor", desabafa.

Noinha conta que, no passado, as igrejas evangélicas de seu bairro se uniram em procissão para expulsá-la. A guerreira resistiu. "Tudo o que quero é mostrar como é linda nossa cultura, que começa com a benção à natureza, que é nosso chão e tudo nos dá".

 


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