Mano Gláucio

Gente - Cabo Frio


 

Foi escutando rap em um programa de rádio que Gláucio de Oliveira Reis mergulhou no mundo do hip hop. Em 1994, apresentou-se em público pela primeira vez, "mandando a rima" em uma roda de improviso de MCs em Cabo Frio. A periferia começou a absorver a sonoridade de seu rap contestador e ele se tornou o Mano Gláucio.

Não há só batalhas de raps em sua trajetória. Morador do bairro violento de Jardim Caiçara, Mano Gláucio foi viciado em crack. "A droga me secou. Foi horrível". Na briga pela pedra, levou um estilhaço de pistola 12 mm no olho direito e 28 pontos. "Tive várias recaídas. Tentei montar um grupo de rap e me chamavam de pedante. Mas o que eu queria era fazer som. Um dia eu disse: vou dar um basta e meter o pé na música", desabafa.

O terror que assola o gueto. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias.

Nas mais de 120 letras que escreveu, denuncia "o terror que assola o gueto".  "A polícia rouba viciado, bate em cracudo e ainda tá na sua razão. O pai alcóolatra bate na família e ainda tá na sua razão. Eu falo sobre tudo o que tem de ruim na periferia", afirma. Suas letras também trazem reivindicações para a comunidade, como saneamento básico, educação e cidadania. "Tem muita gente pegando carona no rap sem conhecer as origens e vendendo o hip-hop como modinha. Rap é protesto, é como começou nos Estados Unidos", analisa.

O rapper lançou um cd demo com quatro músicas em 2008, "Aterrorizando o Sistema". Já cantou em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, na rua, na pista, em boate, baile funk. "Tem uns que me conhecem e já não vão mesmo me ver. Os que não conhecem vão ver qual é a daquele negão", provoca. O próximo cd, "Mixtape do Mano", deve sair pelo selo independente Faixa de Gazah, um coletivo cultural entre amigos.  

O estúdio é na casa do produtor Clóvis Batebola, na comunidade de Porto do Carro. O próximo passo do coletivo é transformar a cisterna de seis metros de comprimento em estúdio para gravação de voz. A de Mano Gláucio já provou ser poderosa.  Como diz em suas apresentações: "Fazer barulho é fácil, quero ver é estrondar".

 


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Telefone: (22) 9-9222-9730
Site: http://faixadegazah.blogspot.com.br/p/artistas.html

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