Mãe Zezé

Gente , Patrimônio Imaterial - Santo Antônio de Pádua


 

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Menina dos Olhos das Águas

Mãe Zezé ouviu o "chamado dos orixás" aos 15 anos. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias
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Pernambucana de Recife e de família católica, Maria José Coelho dos Santos "ouviu o chamado" dos orixás, as divindades da natureza, aos 15 anos. A menina de pele alva e cabelos louros perdia a memória, tinha mal súbito, andava sem rumo. Os médicos não conseguiam "dar cura". Seus pais foram aconselhados a procurar um terreiro de candomblé, onde Maria José recebeu a notícia de sua mediunidade.

Em 1975, ela ingresssou na nação Jeje Savalu e tornou-se filha de santo do babalorixá e escritor Ode Kileuy, do Rio de Janeiro.  A ialorixá Maria José, ou Mãe Zezé, é filha de Oxum, "a deusa do amor, a rainha do ouro", como diz.  Ela abriu seu próprio terreiro ? Kwe Axé Olô Jomin ou Menina dos Olhos das Águas -  em 1982, em Santo Antônio de Pádua. Foi atender a um cliente na cidade,  gostou do lugar  e ali montou a sua "roça de santo". 

O início foi difícil. "O pessoal ficava desconfiado. Pensava que o candomblé era um golpe ou coisa de satanás, porque a tradição determina em alguns casos que se raspe a cabeça e se pratique o sacrifício de animais. Ah, quantas lágrimas eu derramei cada vez que derrubavam os muros do barracão. Mas eu erguia de novo", conta Zezé.

Terreiro tem três festas ao ano. Foto: Tasso Marcelo/Diadorim Ideias

Devagarzinho, e sem confronto, ela foi consolidando seu terreiro, ganhando respeito e abrindo a casa para as festas dos santos. Zezé é a única mãe de santo da nação Jejé Savalu da região. "Se precisar frequentar, cristão, evangélico, empresário e político frequentam. Mas é aquele negócio, tudo escondidinho. Deus é amor e aqui tem espaço pra todos", afirma.     

O barracão localizado nos arredores da cidade tem salão, quartos para os santos e para os filhos de santo, em torno de 20.  Em janeiro, realiza a festa de Oxum;  em outubro, a comemoração consagrada a Ibeji (orixá criança) e, em novembro, a festa é dedicada à ancestral feminina Kolondina, entidade semelhante aos exus do povo iorubá. Mensalmente, Mãe Zezé reúne os filhos de santo para as homenagens aos orixás e iniciações. 

 Em sua residência,  Mãe Zezé joga os búzios. "Quando o motivo da queixa é espiritual, ele é nosso. Mas, às vezes, a pessoa não precisa de mãe de santo e eu oriento a procurar ajuda na medicina. Ela levou um tombo e acha que alguém botou olho gordo pra ela cair. Eu pergunto: meu filho, você prestou atenção no chão? Cadê sua fé em Deus? Não tem que ter medo. Me olhou mal? Mil anos pra que vejam a minha vitória. A força do mal existe, mas a do bem é superior", ensina.  


Serviço

Endereço: Rua Beira Rio, s/n, Cehab – Terreiro Kwe Axé Olô Jomin
Telefone: (22) 9-8128-5552/ 9-8815-7447
Site: https://www.facebook.com/mariajose.santos.165470?fref=ts

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