Colônia de Pescadores de Itaipu

Patrimônio Imaterial - Niterói


 

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 Foto: Cris Isidoro / Diadorim Ideias
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"Na pesca artesanal você não procura o peixe, o peixe é que procura você." É o que diz Aureliano Matos de Souza, o Cambuci, 56 anos. Seu pai, Aureliano Pereira de Souza, foi um dos fundadores da colônia de pescadores de Itaipu. Neto de pescadores, Cambuci acompanha a pesca desde os 5 anos. Na época, eram só de arrastão e rede alta. "Hoje o arrastão está acabando", diz.

Para ele, o verdadeiro pescador artesanal de costa faz pesca caiçara ou de arrastão. "Cada peixe tem uma rede", ensina. "Antigamente todo mundo conhecia linha, agora são poucos os que sabem cuidar de rede". A pesca de arrastão é feita com uma rede grande e quatro pessoas, no mínimo, puxando de um lado a outro da praia. "No arrastão vinha todo tipo de peixe. Agora o que tem mesmo é lula", diz Cambuci, que trata das suas redes e das dos rapazes mais novos.

Silene Ferreira de Carvalho Pinto, 55 anos, diz que pescador artesanal é aquele que "trabalha no verão para comer no inverno". Ela é uma das mulheres de pescadores que começaram a trabalhar na colônia depois que os filhos cresceram. Vende os peixes do marido, Waldecir Pinto, 57 anos, e chega a ficar 20 horas na praia. Outra que aprendeu com o marido foi Vitória de Hollanda Ferreira, de 60 anos. Casada com José Roberto Ferreira, ela conhece os benefícios de cada peixe para a saúde. "Filé de cação é bom para os ossos, peruá cura bronquite", exemplifica.

A receita é torrar o couro do peixe, bater no liquidificador e comer. Já Carmelita Siqueira de Melo Dias, de 67 anos, é uma das mais antigas da região: marisqueira, já pescou siri e há 30 anos mergulha à procura de mexilhão.

As colônias de pescadores de Itaipu e Jurujuba foram fundadas em 1921. Hoje, são 850 associados em Itaipu (a Z-8). Também tradicional é a pesca caiçara, em que a rede com isca é deixada, à noite, distante da praia. O pescador marca a sua com boias coloridas e volta no dia seguinte para pescar o que ficou preso.

Os peixes são vendidos na praia no mesmo dia, diretamente aos consumidores ou no "leilão da maré", com ofertas pelo conjunto de peixes. Cambuci tem orgulho de passar adiante o que aprendeu: "Quando o mar vira, não tem peixe. É uma vida de muita atenção. Tem que ser precavido, porque tem hoje, mas amanhã pode não ter mais".


Serviço

Endereço: Praia de Itaipu
Telefone: (21) 2711-6246 (Colônia de pescadores de Jurujuba)

Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro Petrobras

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