Dona Umbelina

Gente - Mendes


 

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A senhora de 89 anos anda o dia inteiro pela cidade, levando na sacola uma pilha de folhas de cadernos com poesias de sua autoria. Apesar de analfabeta, Dona Umbelina guarda em casa pelo menos 10 kg de papel com textos criados por ela. 'Ando pelas ruas sempre com papel e caneta e peço às pessoas que cruzam meu caminho que escrevam os poemas que dito, para eu tirar os poemas da cabeça', explica a poeta, conhecida em Mendes como 'a portuguesa da carroça'. Ela chegou à cidade, vinda de Trás-os-Montes, Bragança (Portugal), em 1952.

Recém casada, traumatizada pela guerra, sobreviveu vendendo legumes, verduras e frutas de porta em porta. O marido Manuel trabalhava em Marseille, na França, e foi preso pelos nazistas em uma fundição, onde todos tinham que fabricar armas na guerra contra os franceses. Ele conseguiu fugir e foi para Portugal, onde os dois se conheceram e combinaram de vir para o Brasil, trazendo 800 gramas, com que compraram a primeira casa. Desta união, Umbelina teve cinco filhos homens, que prosperaram ? um deles é dono da fábrica de móveis Renus, na cidade, onde ela mora hoje, já viúva.  Mesmo sem ler nem escrever, conseguiu voltar à Europa, sempre a passeio: já esteve na França, Espanha, Itália, Alemanha, Suíça e Portugal. E, com o sotaque carregado que os anos no Rio de Janeiro não levaram, ela garante: 'o fado não é português; o fado nasceu no Brasil e batizou-se em Portugal'.

A poesia, que brota de seus lábios espontaneamente, ela diz que começou a aparecer a partir de ofensas que ouviu. 'Uma pessoa me ofendeu muito e pensei em poesia como resposta', lembra. Depois de tanta produtividade improvisada, acabou organizando um livro, incentivada pela professora Nerilda Salazar Gomes. Ela disse que se sentia diante de uma nova Cora Coralina e providenciou a edição de 60 exemplares - um deles está disponível na biblioteca do Colégio Estadual Professor Aragão Gomes. Apaixonada por Mendes, que a acolheu, Dona Umbelina é romântica e gosta de falar com as árvores ? 'sou uma escritora analfabeta, as árvores dizem não fica triste não, olha pras nossas folhas e escreve nelas a lição'.


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Telefone: (24) 2465-2445

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