Cineastas Paulo Silva e Júlio Pecly

Gente - Rio de Janeiro


 

Paulo Silva foi parceiro cinematográfico de Júlio Pecly, que morreu em janeiro de 2015, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Os dois cresceram na mesma rua, a Travessa do Coentro, na Cidade de Deus, onde compartilhavam o sonho de infância que parecia impossível se realizar: fazer cinema em uma comunidade carioca. Hoje, os amigos quarentões podem dizer que chegaram lá. "Vivemos e sobrevivemos do audiovisual", fala Paulo, que até 2003 colecionava ocupações na carteira de trabalho. "Fui feirante, bancário, piscineiro, peão de obra, enfim, fiz tudo que um favelado típico faz. Depois que entrei no mundo da sétima arte, encontrei minha verdadeira vocação e já até consegui comprar minha casa própria".

Paulo Silva e Julio Pecly: cinema na Cidade de Deus. Foto: Marcelo Tabach/Diadorim Ideias

Formados em roteiro e direção por cursos como o do CinemaNosso, o do Nós do Cinema e o da Cufa (Central única das Favelas), Júlio e Paulo perceberam que podiam se destacar neste mercado competitivo se unissem as forças.

Em parceria, realizaram 12 curtas e um longa-metragem, Enchente, de 2009. Dois anos antes, venceram o disputado prêmio de Melhor Curta-Metragem com o filme Sete Minutos, lembrado como o "cartão de visitas" da dupla, que os levou a rodar o Brasil e o mundo.   

Apesar do trabalho em conjunto dar certo, as referências cinematográficas dos dois são bastante diferentes. "Minha grande influência é Chaplin. Assim como eu, aprendeu cinema na prática, sem nunca ter passado por uma universidade", lembra Paulo. Já Júlio costumava torcer o nariz ao falar do intérprete do vagabundo de chapéu-coco Carlitos. Seu negócio mesmo era ficção científica e sonhava em fazer um filme de zumbis ambientado na Cidade de Deus.

A dupla ainda ajudou a fundar a Companhia Brasileira de Cinema Barato, ao lado de Marcelo Yuka e de Leandro Firmino da Hora, o Cinecarceragem, cineclube que exibe filmes e curtas-metragens dentro de delegacias, e o Ponto de Cultura Circuito Itinerante, na própria CDD. Ao lado do inquieto cineasta e produtor Cavi Borges, rodaram festivais nacionais e internacionais com produções muito elogiadas pela crítica. 

"Quando criança, eu era tão cinéfilo que fazia anotações de todos os filmes a que assistia. Achava que era maluco até conhecer o Júlio, que fazia a mesma coisa", recorda Paulo. "O cinema é igual a comer e respirar para mim, é uma função vital", filosofa Julio. Juntos, eles trabalharam também no projeto "Favela Criativa", em comunidades pacificadas da cidade, que buscava histórias que possam virar filme.

Júlio Pecly foi homenageado em março de 2015 na 14ª Mostra de Cinema Livre, no Centro Cultural Banco do Brasil.

 

 

 


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Telefone: 97537-7800 (Julio)
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